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sábado, 17 de junho de 2017

Cidades inteligentes

Carlos Rodolfo Sandrini é arquiteto, urbanista e empresário na área de Educação focada na Economia Criativa. É catarinense, descendente de imigrantes italianos, e está radicado em Curitiba (PR)
 
 
Em uma cidade inteligente, todos os cidadãos e serviços essenciais estão conectados. Nela a energia utilizada é limpa, a água usada é reaproveitada, o lixo é tratado. Produtos, serviços e espaços são compartilhados. As pessoas se deslocam com facilidade e usufruem de serviços públicos de primeira qualidade. Além disso, há facilidade de criação de laços culturais que unam seus habitantes, propiciando sucesso econômico e melhoria da qualidade de vida.


Na busca de alcançar a categoria de cidade inteligente, várias cidades em várias regiões do planeta vão gastar, até o ano 2025, um valor anual situado entre 930 bilhões e 1,7 trilhão de dólares. Para elas se tornarem inteligentes, vão precisar obrigatoriamente – além dos investimentos – de iniciativas inteligentes dos seus poderes públicos.

Representantes da economia privada tem se reunido em fóruns mundiais, como o "Smart City Business America", para apontar soluções e oportunidades de negócios no mercado das cidades inteligentes. Muitas inovações eleitas seguem os desejos manifestados pelas populações, como a adoção de conceitos e tecnologias sustentáveis, a inclusão urbana para anular o isolamento das periferias, a educação agregadora para evitar a radicalização, o foco na educação presencial inclusiva até os 18 anos e o planejamento urbano que contemple espaços para ensino, educação e artes.

Com essas novas características, as cidades que se elevarem à categoria de inteligentes terão aumento na oferta de empregos nos setores públicos e privados relativos à hospitalidade, ou seja, no acolhimento de visitantes. E com muita intensidade na economia criativa, que já vem crescendo no mundo, caracterizando-se como um processo centrado no ato criativo com poder de transformar a cultura local em riqueza econômica.

Essa evolução urbana – social e econômica – promete gerar novos desejos, fazendo com que as cidades sejam muito utilizadas em atividades ligadas ao bem estar e ao lazer, concretizando ideais de inclusão, aproximação, conectividade, relacionamento e compartilhamento.

O conceito de cidade inteligente inclui a verticalização das cidades com práticas sustentáveis. As distâncias devem ser encurtadas com várias soluções inteligentes de transporte, deixando o automóvel fora do sonho de consumo. E uma transformação legislativa deve encurtar os caminhos das possibilidades de realização dos desejos das pessoas.

As novas tecnologias vão permitir que, nas cidades inteligentes, um número crescente de pessoas possa trabalhar em casa, além de não precisar se deslocar para adquirir artigos básicos ou resolver problemas burocráticos.

Não terá lógica que as pessoas se dividam diariamente entre dois ambientes, o residencial e o comercial. Assim como perderá a lógica existir o horário comercial padrão. Afinal, por qual motivo um grande número de pessoas será obrigado a se deslocar nos mesmos horários? Nós veremos em breve, nas cidades inteligentes, o fim dos prédios comerciais como conhecemos hoje. E os novos prédios residenciais vão ter novos conceitos e funcionalidades.

Fica claro que, nos próximos anos, haverá transformações intensas, especialmente nos grandes centros urbanos. O conceito de cidade inteligente tem ganhado força em todos os continentes e, em breve, seus benefícios estarão presentes em nossas vidas, mesmo que não estejamos morando em uma cidade dessa categoria.

Nos ambientes urbanos atuais, cada vez mais degradados, com divisões religiosas e políticas, as mudanças rumo aos ideais das cidades inteligentes – apostando em inclusão social, em soluções compartilhadas, em serviços públicos eficazes – podem representar a oportunidade de vivermos numa sociedade cada vez mais próxima da ideal.

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