Pet shops sob vigilância, por Junji Abe


A sociedade brasileira preocupa-se cada vez mais com o bem-estar animal e o
combate à crueldade a que os bichinhos são, muitas vezes, submetidos. Os
maus-tratos ocorrem não só nas ruas ou em casas da escória desalmada, mas
também em estabelecimentos onde os animais deveriam receber os melhores
cuidados, considerando que seus humanos pagam pelos serviços prestados. É o
caso de determinados pet shops. Por incrível que pareça, há registros de
mortes e sequelas irreversíveis, decorrentes de procedimentos inadequados
durante banho e tosa.

Em resposta às justas preocupações de ativistas da causa animal, apresentei
à Câmara Federal o projeto de Lei (7291/2014
<
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=6093
41> ), que prevê uma espécie de Big Brother nos pet shops. Assim como o
sistema de monitoramento existente no reality show da Rede Globo, a proposta
determina visibilidade obrigatória dos serviços de banho e tosa prestados
por estabelecimentos a cães e gatos, além de filmagem do atendimento, acesso
online pela internet e armazenamento das gravações pelo período mínimo de
seis meses.

Como não permaneci exercendo o cargo no Parlamento, a proposição foi
arquivada em 31 de janeiro deste ano, último dia da legislatura anterior.
Teria ficado perdida nos anais da Casa, não fosse a iniciativa do deputado
federal Herculano Passos. Graças ao correligionário paulista – ele também
integra o PSD –, a íntegra da minha proposta voltou a tramitar na Câmara
Federal, sob a forma de projeto de Lei (1855/2015
<
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=1302
792> ).    

Se transformado em lei, o sistema de monitoramento em vídeo flagraria
condutas impróprias em pet shops. Infelizmente, não poderá desfazer o mal
feito e muito menos trazer o animal de volta à vida. Porém, poderá inibir
práticas ruins e determinar o fechamento de estabelecimentos de fundo de
quintal, além de constituir prova para ações judiciais que responsabilizarão
os criminosos.

Para dizer o mínimo, o uso de escovões de cerdas rígidas (usados para
esfregar capachos) no banho é abominável. O correto é ensaboar o animal e
massagear os pelos com as mãos, de modo similar à lavagem de cabelos. Há
estabelecimentos que tratam os bichinhos como um pedaço de tapete. Para
secá-los, usam máquinas com jatos de ar frio ou quente demais. Pior é o tal
micro-ondas,  equipamento de secagem onde muitos morrem por asfixia ou
choque térmico. Outros sofrem queimaduras, como o cão que teve suas quatro
patas torradas dentro de um pet shop.

Dezenas de ONGs de proteção animal vêm recebendo denúncias de tutores sobre
espancamentos, fugas, animais machucados, cortados, anestesiados, mortos e
outras irregularidades. Em Curitiba, uma cadela Yorkshire foi morta a
pancadas por um tosador que se irritou com a mordida do animal. Em São
Paulo, uma gata morreu por causa de ferimentos com a máquina de tosa. Já um
cão perdeu a vida enforcado, após por ter pulado da mesa de secagem, estando
amarrado a uma alça da mesa, sem ninguém por perto. São muitos as histórias
terríveis desencadeadas por profissionais despreparados. 

O mercado de produtos e serviços para animais de estimação é um dos que mais
cresce no País. Estabelecimentos sérios não farão qualquer objeção à
proposta porque o monitoramento lhes dará maior credibilidade. Já os
oportunistas, que não têm equipe devidamente preparada e só entram no ramo
para ganhar dinheiro, precisam fechar as portas. Um avanço já conseguimos: a
ideia do Big Brother nos pet shops voltou a ser avaliada no Congresso
Nacional. Vale toda nossa pressão para que seja aprovada.  Pelo bem dos
animais. Para tranquilidade dos donos. 
Junji Abe é líder rural, foi deputado federal pelo PSD-SP
(fev/2011-jan/2015) e prefeito de Mogi das Cruzes (2001-2008)

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